Brincadeiras para um bebé sentado: potes, encher e despejar, e derrubar torres
Por volta dos 6–9 meses, muitos bebés ficam fascinados por meter coisas dentro, despejar tudo e derrubar o que construímos. Dá para aproveitar isso quase sem material.

Algures a meio do primeiro ano, muitos bebés descobrem um novo superpoder: mãos livres. Estar sentado com as duas mãos disponíveis muda a forma de brincar e, de repente, tudo o que está ao alcance é agarrado, inspecionado, batido, deixado cair e agarrado outra vez. As melhores brincadeiras para um bebé sentado nesta fase não são brinquedos com botões e músicas. São um pote, alguns objetos seguros e a sua disponibilidade para fazer a mesma coisa onze vezes seguidas.
Nada disto tem a ver com cumprir etapas. Os bebés sentam-se em alturas muito diferentes e há quem esteja mais feliz apoiado nas suas pernas ou deitado de lado com um cesto por perto. Todos os jogos abaixo funcionam a partir da posição em que o seu bebé estiver confortável hoje.
Porquê o mesmo jogo, quarenta vezes seguidas
Se já devolveu a mesma colher de pau vinte vezes e se perguntou se o seu bebé reparou que é sempre a mesma colher, a resposta é sim. E é precisamente esse o ponto.
A repetição é a forma de o bebé confirmar que o mundo é fiável. Deixa cair a colher: ela cai. Deixa cair outra vez: continua a cair. Agora deixa cair com a mão esquerda, deixa cair a olhar para si, deixa cair enquanto tem uma chávena de chá na mão. Cada repetição é uma pequena experiência com uma variável mudada.
Para nós é o mesmo jogo. Para o seu bebé é uma pergunta ligeiramente diferente de cada vez.
Por isso não precisa de andar a inventar atividades novas. Precisa de um ou dois jogos simples que o seu bebé possa repetir até se fartar. Isso pode durar quatro minutos. Ou duas semanas.
O jogo do recipiente: pôr dentro, tirar, tirar outra vez
É este o género todo: um recipiente, algumas coisas e um bebé que quer saber o que acontece quando as coisas entram e saem.
O que funciona bem como recipiente:
- Uma tigela de plástico baixa ou uma taça de misturar
- Um tacho sem tampa
- Uma caixa de cartão com as abas cortadas
- Um saco de pano, aberto e caído de lado
E para as coisas que vão lá para dentro: colheres de pau, copos medidores, uma espátula de silicone, argolas grandes, uma fralda de pano, uma meia enrolada, um conjunto de brinquedos de banho. Qualquer coisa maior do que a boca do seu bebé, sem peças pequenas, que não parta nem lasque, e sem cordões ou fitas.
Sente-se de frente para o seu bebé, ou logo atrás para o apoiar, e comece. Ponha uma coisa lá dentro. Despeje. Abane o pote para o conteúdo chocalhar. Dê o pote ao seu bebé e deixe-o fazer o que quiser com ele, incluindo mordiscar a borda e ignorar por completo o que está lá dentro.
A maioria dos bebés domina o despejar muito antes do pôr dentro, por isso conte com ser você a encher durante um bom tempo. Isso não é um problema do jogo. Isso é o jogo.
Pequenas variações que mantêm a graça
- Use um recipiente com abertura mais estreita, para ter de haver pontaria
- Ponha lá dentro algo um pouco barulhento, como um copo medidor, para fazer estrondo
- Esconda um objeto preferido debaixo de uma fralda de pano dentro da caixa
- Use dois recipientes e passe as coisas de um para o outro
Torres que existem para ser derrubadas
Construir ainda está longe para a maioria dos bebés desta idade. Demolir, por outro lado, é satisfatório de imediato.
Empilhe três ou quatro coisas numa torre pequena e instável: copos de encaixar, blocos leves, boiões de iogurte virados ao contrário, um par de livros de cartão. Ponha-a ao alcance do braço do seu bebé sentado e espere.
Há bebés que dão logo um tabefe. Há outros que ficam a olhar um bocado, se inclinam, tocam com cuidado na peça de cima e depois olham para si como quem pergunta se isto é permitido. É permitido. Reconstruir. Repetir.
Mantenha as torres baixas e macias. Uma coisa pesada a cair em cima de mãos pequenas não tem piada, e estruturas altas assustam mais do que entusiasmam. Três peças chegam e sobram.
Se o seu bebé não se interessar por derrubar, experimente empurrar você mesma a torre com algum teatro: um oscilar lento, um estrondo, uma cara de surpresa. Muitas vezes é só isso que falta para quererem a sua vez.
Passar de mão em mão
Este é mais calmo e é bonito. Dê um objeto ao seu bebé. Estenda a mão, aberta e parada, e diga algo simples: "Dás-me?" Depois espere.
Ao início, o seu bebé pode agarrar com força, ou oferecer o objeto e puxá-lo de volta no último segundo. Isso é uma fase, não é falta de generosidade. Aceite o que lhe derem, diga obrigada e devolva logo.
O que faz o jogo funcionar é o ritmo: a tua vez, a minha vez, a tua vez. Faça pausas longas. Os pais cansados tendem a preencher os silêncios, mas é nesse intervalo que o bebé tem tempo para responder.
Algumas coisas que ajudam:
- Use um objeto de que já gostam, não um estreante
- Fique ao nível dos olhos, se der
- Aceite meias ofertas como participação completa
- Pare quando se virarem, arquearem as costas ou começarem a resmungar
Este último ponto é mais importante do que qualquer jogo. Desviar o olhar, agitar-se ou afastar o objeto com a mão é um sinal claro de que já chega por agora. Não é preciso insistir por mais uma ronda.
Deixar cair coisas é brincadeira, não é provocação
A certa altura, provavelmente durante uma refeição, vai devolver qualquer coisa e ela vai voar outra vez por cima da borda. E outra vez. Pode parecer um teste.
Não é mesmo birra nem má-criação. O seu bebé está a descobrir que os objetos continuam a existir depois de desaparecerem da vista, e que você reaparece com eles. O facto de reagir faz parte da graça, e é por isso que parece não ter fim.
Se está farta de se baixar, mude o cenário em vez das regras. Jogue ao deixa-cair no chão, onde apanhar é mais fácil, ou tenha um cestinho de substitutos ao seu lado. À mesa, um "acabou" dito com calma e retirar o objeto é perfeitamente aceitável. Não está a dar uma lição ao seu bebé, está apenas a terminar uma ronda.
Manter o chão seguro e simples
Bebés sentados tombam, muitas vezes de lado e sem aviso. Brinque num chão plano e desimpedido, e não no sofá, na cama ou numa superfície elevada, e fique sempre ao alcance do braço.
Algumas coisas práticas:
- Verifique cada objeto: peças pequenas ou soltas, rachas e tudo o que passe por dentro de um rolo de papel higiénico
- Nada de cordões, fitas, sacos de plástico ou pegas compridas
- Afaste cantos duros e tudo o que possa ser puxado abaixo
- Supervisione de perto, sobretudo o que vai para a boca, porque quase tudo vai
Se tiver dúvidas sobre a forma como o seu bebé se senta, se mexe, ouve ou vê, ou sobre riscos de engasgamento em casa, fale com o médico, a parteira ou o enfermeiro de família. Conhecem o seu bebé e podem observar como deve ser.
Uma nota sobre a duração de tudo isto
Estes jogos são curtos de propósito. Cinco minutos calmos com um pote e uma colher são uma sessão completa. Se o seu bebé perder o interesse ao fim de noventa segundos, não correu nada mal.
Há dias em que vai ter vinte minutos gloriosos de despejos e estrondos. Noutros, vai ter uma torre e uma muda de fralda. Se gosta de ir guardando um registo solto do que interessou ao seu bebé esta semana, é esse tipo de coisa que a app Kaplu está a ser feita para facilitar, mas uma nota no telemóvel também serve.
O pote, a torre, o dar e receber. Três jogos, quase sem material, e um bebé que lhe vai mostrar com todo o gosto quantas vezes seguidas se consegue jogar.



